Em liberdade! (5)

 
 
Comentário de Fernando S no post “Em liberdade!”

O que parece ter começado já a incomodar muitos dos “politicamente correctos”, mesmo dos mais “moderados” e menos enfeudados aos PCs e às extrema-esquerdas, é:

 

1. Ingrid Bettencourt e os outros reféns foram liberados través de uma operação militar por ordem do “reaccionario” e “bushista” presidente colombiano. Não foram as FARC.

 

Não foi uma resposta “humanista” das FARC ao movimento internacional de apoio a que excepcionalmente (no caso de reféns detidos por organizações com uma aurea de esquerda e uma ideologia marxista) aderiram grande parte das esquerdas francesa e europeias. De resto, este apoio invulgar tem muito mais a ver com o facto de Ingrid Bettencourt ser conhecida como uma militante ecologista e critica dos governos “direitistas” da Colombia do que com a circonstancia de ela também ter a nacionalidade francesa.

Não foi o resultado de um processo negocial em que governo colombiano, pressionado pela “comunidade internacional”, teria sido obrigar a aceitar as principais exigencias das FARC, permitindo salvar a face desta organização e dar-lhe um novo folego politico (como aconteceu varias vezes no passado de cada vez que o governo colombiano aceitou levantar a pressão militar e negociar sem condições).

2. À descida do avião que a trouxe de 6 anos de cativeiro, a “sobrevivente” Ingrid Bettencourt não deu sinais de sofrer do sindroma de Estocolmo, não disse bem dos seus raptores, não se mostrou decidida a retomar a bandeira de luta contra o “sistema”. Fez um discurso surpreendente para uma militante de esquerda. Agradeceu a Deus e fez uma série de reflexões politicamente incorrectas. Elogiou o exército colombiano, congratulou-se com a reeleição do Presidente Uribe e disse que o apoia, avisou os esquerdistas Hugo Chavez e Rafael Correa para não interferirem na democracia colombiana, etc, etc.

Por enquanto ainda estão todos meio atordoados com a rapidez e o cariz dos acontecimentos e das declarações de Ingrid Bettencourt. Mas já se nota alguma perplexidade e algum embraraço. Não deve faltar muito para começar uma campanha sistemática e bem oleada de destruição da imagem da “sobrevivente”!!

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