Chá das Cinco

 

a linguagem muda das coisas (caras)

Li esses dias uma daquelas filósofas do GNT dizendo na Internet que é papel do intelectual denunciar a sede de luxo. Eu também acho que é papel do intelectual denunciar a sede de luxo. Contanto que o papel fique só para ele. Intelectuais sempre vêm com esse papo de que a gente não deve ter mais do que precisa. Mas o que é "precisar" mesmo? É uma idéia bem simplória, bem pouco "intelectual", essa de que as coisas só têm uma função: um sapato é para pisar, um chapéu para proteger do Sol, portanto a gente só precisa de um de cada. Qualquer perua – ah, essas estetas involuntárias! – sabe que sapatos e brincos e chapéus também falam a linguagem muda das coisas e que um tom de marrom na bolsa pode arruinar um conjunto. Por isso, quando perguntam se a primeira-dama das Filipinas precisava mesmo de 500 pares de sapato, acho que devemos levar em consideração sua alma de artista ou de perua. Talvez, como Turner para pintar um pôr-do-sol, ela precise de 500 cores na paleta. Todas Manolo Blahnik, claro.

Anúncios